segunda-feira, 10 de junho de 2013


Quase um século! 
MGOS

Uma figura simpática e bem disposta chamou a minha atenção dia desses, quando eu passava em frente ao Colégio Municipal Barão da Taquara. O nome dele é Eduardo dos Santos Cunha. Nasceu na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Intrigada, achei que valia a pena escrever uma matéria sobre ele!
Pois bem, ele veio para o Rio em finais dos anos 50. Morou em Niterói por um tempo,  e desde o início dos anos 60 fixou residência na Cidade de Deus. Pessoa bem falante, contou-me, que nesse tempo existia o bonde que ia até Cascadura, e de lá se pegava o trem para a Central do Brasil, quando precisavam ir à cidade. Os lotações eram escassos, vinham até o tanque e daí se apanhava outro para Cascadura ou Madureira. As ruas poucas com calçamento, paralelepípedos, lógico! Existiam muitos sítios em Jacarepaguá nessa época ainda!  Luz elétrica, era coisa rara! Aliás, o Brasil começou a ficar iluminado de uns 30 anos para cá. Há cinquenta anos atrás não ter luz nem água era normal!

Então, eu fui perguntando sobre a vida dele, e ele respondendo com a maior atenção. Aposentado há muito tempo, diz que deu baixa da carreira burocrática na F.E.B. mas, como não consegue ficar sem fazer nada, então resolveu vender um feijão de cor verde, parecido com o de corda, mas muito mais saboroso! Ele apanha a mercadoria, duas vezes na semana pela manhã bem cedo, e fica em frente ao colégio, onde está abrigado pelas sombras das árvores. Ainda que chova, como acontecia neste dia,  ele está por lá, vendendo o tal feijão até esvaziar o carrinho de mão. Vende em copos de 200 e 300 gramas. É claro que eu comprei para experimentar! Até porque, Quando ele me disse quantos anos tinha, eu fiquei ainda mais curiosa! Segundo suas palavras, ele nasceu no dia 12 de dezembro de 1915, então vai fazer 100 anos em 2015. Não pedi nenhum documento que provasse isto, pois acredito que deva ser verdade! Diz que ainda dirige, e pasmem, sem usar óculos, pois enxerga bem, tanto para longe, quanto para perto! Contou ter sido casado só uma vez, de papel passado. Sua esposa faleceu depois de uma longa união, deixando ele viúvo, com os sete filhos do casal, e mais dez que foram sendo adotados ao longo do tempo! Haja saúde e coragem! Depois de algum tempo viúvo,  ainda morou com outra companheira, mas, atualmente, mora sozinho. Os filhos todos já têm família, estão criados, Graças a DEUS!


Continuei a indagar como era a alimentação dele, e respondeu-me que basicamente de legumes, verduras, feijão e arroz. Não fumou e também não consome álcool! Quase não come carne! Três  vezes por semana come do feijão verde, e três vezes por dia come uma banana d'água, das menores, que são as melhores para a saúde, segundo sua opinião. O feijão, que depois de bem lavado fica branco, pois a cor verde é uma tintura colocada para conservá-lo mais fresquinho, ao que parece, faz milagres, é bom para os ossos e também para a vista, já que, com esta idade toda seu Eduardo nem precisa de óculos não é mesmo? Pelo sim, pelo não vou seguir um pouco dessa dieta. Quem sabe daqui uns vinte anos eu também não possa estar enxergando melhor do que agora e com ossos mais resistentes? Vale a pena tentar!